Entre raios e socos, o maior trunfo da Marvel é dialogar com o mundo real

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Já se transformou em um fato recorrente nos últimos anos: Toda vez que a Marvel Comics anuncia uma mudança em um dos seus principais títulos, os holofotes da polêmica voltam-se à Casa das Ideias. E dentre a legião de insatisfeitos, que muitas vezes não são formados apenas por fãs tradicionais,  o discurso que mais se destaca é a acusação de que a editora tem desmerecido a imagem “clássica” de seus personagens em detrimento do que chamam de “justiça social”, o que acarretaria na descaracterização do seu universo ficcional em prol de uma publicidade focada mais nas atuais demandas ideológicas do que com o seu antigo público consumidor.

Entretanto, diferente do que falam os “críticos de plantão”, essa atual política de diversidade da Marvel Comics reflete algo muito maior, que pertence a sua própria filosofia desde a segunda metade do Século XX. Desde a publicação do Quarteto Fantástico, em 1961, a editora sempre usou a estratégia de dialogar com a realidade para contar as suas histórias. E dentro disso, temos um número considerável de exemplos simbólicos que justificam esta linha editorial como sua principal característica de sucesso no mundo do entretenimento. Neste texto, iremos focar em cinco exemplos que demonstram como a Casa das Ideias está além de rasas justificativas que tratam os quadrinhos como um “simples entretenimento para se desligar do mundo real”.

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  • Origem da Marvel e a humanidade de seus heróis.

Dentre os produtos culturais, as histórias em quadrinhos carregam a característica de serem as que mais rápido refletem as opiniões e exigências de uma população ou sociedade. Desde os seus primórdios, quando trazia nas tiras de jornal uma ácida crítica aos acontecimentos do momento, as HQs sempre foram alvo de elogios ou críticas por conta de sua sensibilidade ao público e rápida reprodução das demandas da atualidade.

Com os super-heróis não poderia ser diferente. Criados entre o período da Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, os personagens poderiam ser simplistas em seu desenvolvimento, mas refletiam a angústia do norte-americano em meio as injustiças sociais e a impotência contra perigos maiores do que poderiam enfrentar sozinhos. Nesse cenário, já temos com a Timely Comics – antigo esboço do que viria a ser a Marvel – alguns personagens como o Tocha Humana Original (um androide que protegia os humanos, mas era temido pelas pessoas) e Namor (um dos primeiros anti-heróis dos quadrinhos), que já demonstravam a ambivalência característica da editora 22 anos depois.

Ao final dos anos 50, a segunda onda de super-heróis seguia as tendências da era atômica e ficção cientifica, mas foi com a entrada da Marvel – em 1961 – que a verdadeira revolução aconteceu no mercado. Personagens como Hulk, Homem de Ferro e Homem-Aranha trouxeram para as HQs muito mais do que socos e pontapés contra vilões, levando para as suas páginas também as angústias e anseios vividos pelos norte-americanos e mostrando que as escolhas, e não os poderes, são o que qualificam uma pessoa como um herói.

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  • O advento Capitão América

Criado inicialmente em 1941, como um panfleto contra os inimigos estrangeiros, o Capitão América se tornou um dos personagens mais emblemáticos da Marvel Comics. Desde o seu “retorno”, o Primeiro Vingador cresceu em importância por se tornar um contraponto interessante entre o ideal do modo de vida americano e a realidade que o cerca.

Acordando nos anos 1960, Steve Rogers enxerga uma nova realidade onde os valores, esperanças e o sonho americano não são vividos por todos os cidadãos do país. Dessa maneira, o personagem passa também a combater as injustiças sociais e se torna uma voz atuante contra a corrupção e todos os desmandos dos políticos estadunidenses durante as décadas posteriores. Daí em diante, o personagem renuncia ao uniforme durante o escândalo de Watergate,  enfrenta extremistas ultranacionalistas nos anos 1980, perde os direitos de usar o uniforme e acaba substituído por uma versão mais obediente aos ideais do governo durante a era Bush, descobre que não foi o primeiro Capitão América e que um soldado negro foi usado como cobaia, luta contra o registro de super-heróis em uma versão do ato patriótico pós 11 de setembro, é assassinado e substituído pelo seu antigo parceiro, ressuscita e se torna líder da SHIELD, envelhece, passa o uniforme para o Falcão e agora tem sua história reformulada pelo seu maior vilão.

Nestes 75 anos, cada fase pode ser vista como a leitura de um período do próprio Estados Unidos. Se hoje temos polêmicas em relação a abordagem das atitudes do Falcão como Capitão América, não é a primeira vez que um personagem negro usa o uniforme azul, vermelho e branco. Além disso, também não é surpresa que temas sociais sejam abordados e muito menos que questionamentos políticos sejam o tema principal da franquia.

  • X-Men e a questão da representatividade

Muito além do que um grupo de super-heróis, X-Men é um título sobre aceitação às diferenças e combate ao preconceito. E desde a sua primeira reformulação, em Giant-Size X-Men #1 de 1975, temos uma abordagem moderna que compactua com as tendências da sua época. A entrada de personagens como o russo Colossus, o alemão Noturno e o canadense Wolverine demonstram a internacionalização dos mutantes e elevam a importância da igualdade para etnias, credos e culturas distintas. Histórias como “Deus Ama, o Homem Mata”, por exemplo, falam do uso da religião como justificativa para incitação ao ódio, enquanto outras como “Bem-Vindo a Genosha” traçam um paralelo a realidade perturbadora do apartheid sul-africano e a sua segregação racial.

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Ao longo dos anos, o que era uma abordagem mais focada a discriminação racial começa a ser trabalhado em novos conceitos. Assim, o advento do Vírus Legado (doença degenerativa que matava apenas mutantes) cria um diálogo pertinente sobre a condição de abandono e preconceito com os portadores do HIV. Mais tarde, conceitos de gênero e sexualidade também ganham mais espaço nas páginas mutantes e transformam o universo do Homo Superior em uma representação dos inúmeros nichos culturais que existem na realidade moderna.

  • Pantera Negra e os heróis afro-americanos

Em suas primeiras aparições nos quadrinhos, os negros estavam restritos basicamente a dois tipos de situações: eram coadjuvantes passageiros em histórias de personagens já estabelecidos ou então atuavam como personagens fixos e humorísticos. Independente dos casos, sempre foram representados de forma estereotipada, carregados de características que eram atribuídas ao cidadão afro-americano: lábios grossos e caricaturados, péssimo uso do idioma inglês e inteligência limitada. Poucos foram os exemplos contrários a este tipo de abordagem.

Ao longo dos anos, ocorreram mudanças gradativas nesse tipo de representação. E a crescente luta pelos direitos civis dos afro-americanos também ganhou um espaço relevante nas HQs dos anos 60.  Entretanto, a criação do Comics Code – que funcionava como uma norma de conduta aos quadrinhos – desacelerou esse diálogo, mas não impediu que os autores seguissem a tendência transformadora da época.

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De forma gradativa, a Marvel iniciou mudanças nesse cenário. E no ano de 1966, a dupla Stan Lee e Jack Kirby introduziram nas páginas de Fantastic Four #52, aquele que pode ser considerado um dos maiores super-heróis negros da história dos comics: o Pantera Negra.  Vindo de uma nação utópica em busca de vingança, o personagem funcionava como uma idealização ficcional que trazia uma nova visão de mundo para as páginas dos quadrinhos

Nos anos 70, com o nascimento de uma maior consciência social negra, a editora seguiu com a iniciativa e trouxe novos protagonistas para o seu universo. Nas páginas do Capitão América, o Falcão era a voz do novo ativismo norte-americano. Mais tarde, em 1972, era lançado nos Estados Unidos a primeira revista em quadrinhos protagonizada por um herói negro. Luke Cage, Hero For Hire trazia em sua proposta uma adaptação para o mercado sequencial da fórmula já utilizada em filmes e séries da época.

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  • Novos heróis para um novo mundo

Em 2006, o então editor chefe da Marvel, Joe Quesada, concedeu uma entrevista ao jornal The New York Times sobre a crescente representação das minorias nos quadrinhos da editora. Na ocasião, o entrevistado – que é de origem latina – afirmou que a editora passa por um momento novo, de inclusão de representações das minorias culturais americanas, prezando mais pela diversidade do que pela obrigatoriedade da inclusão.

E nos últimos 10 anos realmente tivemos um maior número de personagens que representam diferentes aspectos da sociedade moderna, aumentando não só o leque de protagonistas como também de temas que podem ser abordados. Casais como Hulkling e Wiccano, dos Jovens Vingadores, conseguiram dialogar com o público gay de maneira simples e honesta. Enquanto antigos heróis como Pantera Negra e Capitã Marvel foram repaginados com maior liberdade para elevar os conceitos aos quais foram criados. Heroís como Miles Morales e Kamala Khan são sucesso de público e críticas não só por representarem novas vozes, mas também por confirmarem que o conceito de heróis se modernizou e continua ativo para os leitores.

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Mudanças são o motor principal dos quadrinhos de super-heróis. Ter reformulações e reviravoltas de ano em ano já fazem parte do modus operandi dessa mídia, que precisa deste tipo de recurso para vender e estimular as suas versões cinematográficas, animadas e eletrônicas. Então, porque o incômodo com as recentes decisões? Novos capitães, homens de ferro e Thors já existiram em várias épocas diferentes e mesmo com alguma relutância de alguns fãs, não interferiram nas mitologias destes personagens. Então, novamente, por que hoje se pede para “conservar os antigos personagens e criar novos para um novo público”?

No momento em que tivemos William Naslund, Eric Masterson e James Rhodes assumindo os mantos de heróis renomados no passado, a Marvel já trazia a mensagem de que pessoas dignas poderiam seguir os passos de seus ídolos e isso enriqueceu tanto o imaginário coletivo dos leitores quanto os bolsos das editoras. Se hoje temos uma nova onda de mudanças nestas franquias, elas funcionam para demonstrar que uma Riri Williams ou uma Jane Foster também participam deste leque de opções e podem se reconhecer através de mensagens que vão além de credo, cor ou gênero. Falar do mundo que o cerca sempre foi o grande triunfo da empresa, e deixar de demonstrar esta realidade é negar o que fez dela uma verdadeira Cada das Ideias.

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  • Olavo Lima

    or causa dessa fase atual da marvel fez o feito inédito de perder nas vendagens da dc, mesmo a dc lançando 1/3 em numero de publicações da Marvel

    • Edimario Duplat

      Se o que você chama “essa fase” for relacionado ao número de títulos que abordam demandas de minorias, eu discordo de sua afirmação. Mesmo abaixo das vendas em relação a DC no segundo semestre, a Marvel vive um bom período em relação a própria década. Na verdade, o primeiro semestre de 2016 deu a editora um das maiores vendas do ano (Pantera Negra) e as projeções de Champions coloca a série com um número bastante significativo.

      No caso da DC lançando 1/3 dos títulos, muitos destes tem duas edições em um mês, o que desmerece essa comparação. Outro quesito é o advento Rebirth, que fez o número de vendas da editora aumentar bastante por conta desse retorno as origens e o próprio advento de Watchmen.

      Ou seja, existem muitas variáveis em relação a números de vendas. Sabemos que eles ditam o mercado, mas não o refletem totalmente. Um caso melhor de comparação seria após a fase All-New All-Different Marvel.

  • Olavo Lima

    Sobre esse lance da marvel se importar com minorias, a Milestone queria vender seus personagens para a Marvel acreditando que ela estaria interessada no seu selo de herois de minorias, mas queria que todo o controle fossem dos criadores, ela não aceitou dizendo que deveria estar em cima, pois não é que a dc aceitou todos os termos deixando pela primeira vez um universo escritor por pessoas de minorias com personagens de minorias, mais tarde disso sairia o desenho do super choque e o resto é historia

    • Edimario Duplat

      Em nenhum momento desmereci que a DC Comics também não tenha um dialogo com demandas. Documentários e livros provam que escritores e desenhistas tentavam empreender esse tipo de abordagem, mas eram vetados pelo corpo diretor. Só depois que a Marvel publicou edições mais “corajosas”, eles conseguiram sair da censura autoimposta.

      Sobre a Milestone, não conhecia essa história. Só sei que a DC apenas distribuía os quadrinhos da editora. Mesma coisa da animação do Super-Choque, que era da Milestone sob o aval da Warner. Mais tarde, em 2008, anexaram os personagens ao universo principal e os descaracterizaram em muitos aspectos. Só agora que o selo voltou a existir.

      Sobre minorias pelas minorias, Sávio Roz falou sobre isso nessa postagem: http://planoinfalivel.com/all-negro-comics-pioneirismo-negro-nos-quadrinhos-dos-anos-40/

  • Olavo Lima

    Apesar que está tudo errado: A “Mulher de Ferro” se chama IronHeart (Coração de Ferro), quem é o (infame) Homem de Ferro mesmo é o Victor Von Doom (não se esqueçam que a Pepper é a Rescue, outra Mulher de Ferro)!
    E o Thor ainda está na ativa (e ele co-existia com outros Thors na fase do Bill Raio Beta e Eric Masterson), assim como o Homem Aranha, que agora também co-existe com o Miles, Silk, Gwen, Árabe, Porco-Aranha, 2099. A Miss Marvel original foi promovida à Captain Marvel e ainda está na ativa. E o Steve também está na ativa, como Capitão Hail Hydra 😉
    Infelizmente mataram bestamente o Hulk em Civil War 2

    • Edimario Duplat

      o que está errado? não entendi

  • Os X-Men não sofriam preconceito no começo, o Chris Claremont que criou a analogia do Malcolm X ser o Magneto e o Xavier ser o Luther King.

    • Edimario Duplat

      Sim. Meu tópico sobre os X-Men inicia sua abordagem desde Giant-Size X-Men e fala como Claremont (e Lew Wein na primeira história) elevam o sentimento de preconceito para além do tema mutante x humano e o trazem para um panorama mais próximo da realidade. São abordados diferenças culturais, físicas e até de comportamento daí em diante. E falar que os X-Men não sofriam preconceito antes é equivocado. Mesmo que eles sejam reconhecidos como heróis no primeiro número – onde na verdade temos um viés contrário dos mutantes com preconceito aos humanos – a abordagem contra os mutantes existe já em X-Men #08, quando um grupo de pessoas tenta atacar o Fera em sua identidade civil. Em X-Men #14, existe o clássico capitulo dos Sentinelas com a publicação de um jornal falando sobre o temor mutante. Nas edições posteriores temos episódios pontuais de preconceito e ódio. Podem ter sido feitos de forma rasa e bem rasteira, mas não quer dizer que não existiam.

      • Tem razão, curiosamente, esse elemento também existia na Patrulha do Destino, cujo cocriado iria escrever X-Men lá pelo número 47.

        • Edimario Duplat

          verdade. Existem padrões e editoriais que a Marvel não criou, mas soube explorar e trazer para os títulos centrais dela. Tem a questão de mercado, precisava se mostrar diferente para vender, e isso liberou as arestas que tinham nas editoras concorrentes e mais tradicionais como a DC. Não é a toa que títulos como Arqueiro e Lanterna não podem ser ignorados.

          PS1: Lógico que to falando dos títulos de super-heróis, nesse caso. A EC Comics estava anos-luz em qualquer forma de retratar os problemas da sociedade norte-americana por meio do terror, faroeste e sci-fi. Isso até o Comics Code chegar

          PS2: Eu não sei porque as pessoas defendem a bandeira do “ela está fazendo isso para ganhar dinheiro”. Lógico, né? No fundo, no fundo, tudo se resume a dinheiro… o brasileiro tem que parar de achar que lutar pelas causas sociais não são também um trunfo de setores do capitalismo

  • Olavo Lima

    Os X-Men no inicio eram considerados super herois comuns foi muito mais tarde na fase do Claremont que ele começou com o lance do preconceito, sem falar que a capitã Marvel 2 ou ex miss marvel modificou sua origem 10 anos atrás para copiar da capitã marvel 1 fazendo praticamente um whitewashing da personagem

    • Edimario Duplat

      1) Sobre os x-men, veja minha respota acima.

      2) Sobre a teoria da Capitã Marvel, esse é um dos maiores absurdos que já li. Primeiro que não existe Capitã 1 e Capitã 2… Capitain Marvel é um substantivo neutro e a Monica é a II e a Carol (atual) é a VII… entre elas existe a Phyla-Vell

      3) Carol sempre foi a sucessora oficial de Mar-Vell, desde sua criação. Nunca a Monica Rambeau foi mais importante que ela (eu também li o texto que você leu). Ms. Marvel sempre teve um planejamento superior e foi planejada para ser a sucessora do Mar-Vell desde os anos 70. O que vem acontecendo desde 2005 pra cá, com sua revitalização, é uma maneira de se voltar a relevância que ela teve. Na verdade, hoje é até maior do que antes.

  • Iury Nogueira

    Podem fazer oq for, é legal a humanidade dos heróis da Marvel com certeza esse é seu maior trunfo, mas mudar características de heróis já existentes é um saco, para mim Homem de ferro sempre será Tony Stark,homem aranha sempre será Peter Parker, capitão América sempre será Steve Rogers, passar o manto para outro é aceitável, agora fazer mudança nesses personagens só para agradar minorias e a sociedade acho um desperdício, muito melhor criar personagens novos e não mecher em personagens que têm um peso histórico estabelecido.

    • Edimario Duplat

      Oi Iury, blz? Então, eu vejo muita gente tocando nesse ponto mas sem lembrar uma coisa: Tony Stark, Stever Rogers e Thor sempre serão esses heróis. O que acontece muitas vezes é termos mudanças nesse status quo apenas para 1) alavancar as vendas e 2) por conta de alguma mensagem que reflita os anseios de uma época. Veja por exemplo o Capitão: ele já abandonou o uniforme duas vezes e teve que entrega-lo em outra ocasião. O Homem de Ferro já se aposentou uma vez e na outra “morreu” para dar lugar a uma versão jovem dele mesmo. O Thor ficou preso no inferno e viu Eric Masterson ter a posse do martelo. Os quadrinhos são ciclicos e nada disso ofende o que foi feito antes. Particularmente acho interessante termos essas mudanças como uma forma de movimentar esse universo. E hoje, por exemplo, não vejo somente como uma forma de agradar as minorias. Acho que é muito mais evidente a mensagem de que todo mundo pode ser o herói que quiser, basta seguir os mesmos principios. No final das contas, Steve Rogers sempre será o capitão, mas todos podem querer ser ele um dia. Basta serem heróis.

      Valeu pelo comentário, abraços.